A Importância de um Projeto (publicado no Cabling News n°28 - Julho 2004, pg. 11)
A Importância do Projeto
Imagine-se, caro leitor, na seguinte situação: você quer
comprar um carro, mas não sabe exatamente o que está procurando.
Você vai a três concessionárias de veículos, uma da
Ford, uma da Volks e uma da Fiat, e pede o orçamento de um carro. Simples
assim. Cada uma irá lhe oferecer aquele que julga ser melhor para você.
Como elas acham que a escolha final será por preço, cada uma lhe
oferece o que há de mais barato. E você, leitor, fica com a difícil
tarefa de escolher entre um Ká, um Gol e um Uno, sem opcionais. Como
compará-los?
A situação acima parece improvável para quem vai comprar
um carro, ainda mais quando se tem em mente um que pode lhe ser útil
em diversas circunstâncias, como em viagens familiares, e ao mesmo tempo
confortável. Mas é exatamente assim que muitos procedem ao escolher
o fornecedor de seu Sistema de Cabeamento Estruturado.
O que falta nesse sistema de escolha? Uma idéia precisa de quais os
requisitos indispensáveis para nosso carro. Por exemplo: ele deve ter
ar condicionado, trio elétrico, direção hidráulica,
quatro portas, aspecto esportivo, facilidade de manutenção e uma
boa garantia. Cumpridos esses requisitos mínimos, podemos nos aventurar
pelas concessionárias e escolher pelo menor preço.
Voltando a nosso mercado de cabeamento, o equivalente seria a realização
de um Projeto. Um projeto bem elaborado pode ser nosso norte ao procurarmos
por soluções que se encaixem em nossas necessidades. Com um projeto
em mãos, podemos ter a certeza de que atingiremos nosso objetivo.
Um projetista, ao elaborar seu projeto, deve procurar entender extremamente
bem quais as necessidades de seu cliente – você, caro leitor –
através de reuniões, conferências, análises e pesquisas.
Por vezes, nem nós mesmos, os clientes, sabemos exatamente o que queremos.
Sabemos apenas que necessitamos de uma infra-estrutura de comunicações,
mais nada. Cabe ao bom projetista auxiliar o cliente a descobrir as necessidades
ideais de comunicação de sua empresa.
Exemplos de perguntas a serem respondidas durante a confecção
de um projeto de cabeamento:
- Quantos pontos de telecomunicações teremos?
- Que aplicações funcionarão sob o cabeamento (voz, dados,
vídeo, automação)?
- Qual a categoria do sistema UTP (Cat.5e ou Cat.6)?
- Que tipo de fibra óptica é a mais adequada?
- Usaremos patch panels ou blocos, interconexão ou conexão cruzada?
- Estaremos aptos a rodar 1 Gb/s e 10 Gb/s?
- A infra-estrutura (dutos, calhas) é suficiente ou precisa ser ampliada?
- Que conectores ópticos usaremos?
- Quais requisitos de minha sala de equipamentos (tamanho, temperatura, umidade,
altura, etc.)?
- O quanto de sobra deixaremos para prover expansões futuras?
- A distribuição será “homerun” ou em zona,
aumentado a flexibilidade de leiaute?
- Qual será a classificação dos cabos quanto à
flamabilidade?
- Como a entrada de cabos externos será protegida contra surtos elétricos?
- Como o sistema de cabeamento se interligará ao sistema de aterramento
elétrico do edifício?
Além dessas questões técnicas, outras igualmente importantes
devem ser levantadas:
- A empresa instaladora é certificada pelo fabricante da solução
escolhida?
- Haverá um engenheiro ou RCDD® responsável pela instalação?
- Os profissionais envolvidos na instalação foram treinados pelos
fabricantes e/ou entidades do setor?
- A empresa instaladora possui CREA jurídico e está habilitada
a recolher ART (Anotação de Responsabilidade Técnica)?
- Quais as garantias oferecidas? Quem proverá a garantia? O que está
incluso na garantia? Por quanto tempo? O processo de garantia envolve uma auditoria
independente?
- A empresa instaladora possui atestado de capacidade técnica em obra
similar?
A própria elaboração do projeto deve ser feita por um
profissional especializado, normalmente um engenheiro ou um RCDD (Registered
Communications Distribution Designer – designação para indivíduos
que demonstram excelência em projeto, integração e implementação
de sistemas de transporte para telecomunicações, conferida pela
BICSI® – associação sem fins lucrativos da indústria
de telecomunicações).
Lembramos que há uma resolução do CONFEA (Conselho Federal
de Engenharia, Arquitetura e Agronomia – www.confea.org.br), de 2002,
que estabelece que os profissionais habilitados a elaborar projetos e executar
instalações telefônicas e de lógica, são:
- Engenheiros e Arquitetos (com atribuições do Decreto Lei nº
23.569, de 1933);
- Engenheiros Eletricistas, (com atribuições dos arts. 8º
e 9º da Resolução nº 218, de 1973);
- Engenheiros de Computação (com as atribuições
da Resolução nº 380, de 1993);
- Tecnólogos em Telefonia;

|