Norma Brasileira de Data Centers
O
ano de 2005 presenciou um marco para a indústria de data centers: a publicação
da primeira norma de cabeamento para data centers – a TIA-942 – Telecommunications Infrastructure Standard
for Data Centers. Outras normas estão a caminho, como as que estão sendo
elaboradas pela ISO, pela CENELEC e pela ABNT.
As
normas da ISO (24764 – Generic Cabling
for Data Centers) e da CENELEC (50173-5 –
Information Technology – Generic Cabling Systems – Part 5: Data Centers)
tratarão somente do cabeamento estruturado para data centers, mas a brasileira,
da ABNT, assim como a sua prima norte-americana, da TIA, também tratará sobre
outros aspectos igualmente importantes, como arquitetura, elétrica e mecânica.
A TIA e a ABNT também se preocupam em definir diferentes categorias – Tiers – de data centers, conforme a
disponibilidade requerida pelo negócio da empresa.
A
seguir, algumas das definições básicas utilizadas pela TIA-942.
A
norma americana define quatro tiers
de data centers:
- Básico
- Componentes redundantes
- Manutenção em paralelo
- Tolerante a falhas
Ela
trata dos seguintes elementos da infra-estrutura do data center:
- Cabeamento de telecomunicações
- Distribuição elétrica (incluindo
no-breaks e geradores de reserva)
- Ar condicionado
- Controle e monitoramento de
acesso
- Detecção e combate a incêndio
- Elementos arquitetônicos
- Outros elementos pertinentes à
construção do data Center
Com
relação à disposição dos equipamentos de TI e ao cabeamento associado, são definidas
as seguintes áreas:
- MDA – Main Distribution Area
- HDA – Horizontal Distribution Area
- ZDA – Zone Distribution Area
- EDA – Equipment Distribution Area
- CR – Computer Room
- ER – Entrance Room
- TR – Telecommunications Room
Elementos
do cabeamento de telecomunicações:
- Backbone
- Horizontal
- Conexões cruzadas
- Tomadas de telecomunicações
O
Brasil está elaborando sua própria norma para a construção de data centers. Foi
formado um grupo na ABNT sob o comitê técnico CB-21 – Computadores e
Processamento de Dados. Trata-se do grupo de trabalho GT-9, que está
subdividido em quatro subgrupos:
- Civil (incluindo controle e
monitoramento de acesso, detecção e combate a incêndio)
- Elétrica (incluindo distribuição
e energia reserva)
- Climatização
- Telecomunicações
Cada
subgrupo é formado por profissionais com grande experiência na área em questão,
sendo coordenado por desses profissionais, eleito pelos demais. O presente
articulista é o coordenador do subgrupo 4 – telecomunicações.
Após
a liberação do primeiro texto de cada subgrupo, será elaborado um rascunho (draft) geral, reunindo todos os textos.
Após as conseqüentes compatibilizações e revisões, a norma irá à consulta
pública para posterior publicação. Espera-se que este ano ainda tenhamos o
rascunho geral, englobando todas as áreas.
Os
subgrupos têm se baseado bastante na TIA-942 em seus trabalhos, mas com a
preocupação em se adequar à realidade nacional. Outras normas nacionais e
internacionais têm servido de base para o desenvolvimento de nossa norma.
Um
dos objetivos do grupo de trabalho é o de não se fazer uma norma que diga como projetar um data Center, e
sim estabelecer os requisitos básicos para o seu projeto. Cada projetista
ficaria livre para utilizar os seus conhecimentos e melhores práticas e
tecnologias de mercado para construir um data Center.
Os
trabalhos do subgrupo de telecomunicações já produziram um bom conteúdo. A
seguir, algumas das definições até agora elaboradas, mas que podem sofrer
alterações no decorrer do desenvolvimento da norma:
áreas
do data center:
- ADE – área de Distribuição de
Equipamentos
- ADH – área de Distribuição
Horizontal
- ADL – área de Distribuição Local
- ADP – área de Distribuição
Principal
- ADS – área de Distribuição
Secundária
- áreas de Suporte ao Data Center
- Infra-estrutura de Entrada
- Sala de Computadores
- Sala de Telecomunicações
Elementos
do cabeamento:
- Cabeamento de Backbone
- Cabeamento Horizontal
- Conexões cruzadas e interconexões
Com
relação aos tiers, a tendência é a
criação de quatro categorias, aos moldes da TIA-942:
- Pode ser interrompido a qualquer
momento, intencionalmente (manutenção programdas) ou não, sem grandes
perdas para o negócio.
- Já possui alguns elementos
redundantes de forma a não permitir paradas não intencionais, mas precisa
ser desligado, mesmo que parcialmente, em caso de manutenção.
- Seu maior nível de redundância já
permite que manutenções programadas sejam realizadas sem prejuízo ao
funcionamento dos serviços do data center.
- Possui o maior nível de
redundância, permitindo a continuidade do negócio mesmo após acidentes
durante manutenções programadas.
Há
uma preocupação em não contradizer ou sobrepor outras normas nacionais. No caso
de telecomunicações, compatibilizamos o texto com a recém lançada NBR
14565:2007 – Cabeamento de telecomunicações para edifícios comerciais.
Outros
subgrupos já têm também textos quase prontos. No segundo semestre deste ano, os
quatro textos serão reunidos e compatibilizados. Este é o segundo ano do
desenvolvimento dessa norma, os trabalhos estão andando rapidamente.
Em
breve, todo o mercado nacional poderá contar com esse importante recurso para
auxílio na definição de seus projetos de data center.
Marcelo
Barbosa
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